Será que estamos interpretando mal o comportamento dos alunos?

Você tem um aluno que parece não conseguir iniciar uma tarefa? Ou talvez você se aborreça com o fato de um aluno ficar saindo do lugar, enquanto outro solta o que parece ser uma informação aleatória no meio de uma aula?

A professora especialista em neurodiversidade, Amanda Kirby, diz que às vezes nós olhamos para nossos alunos e fazemos suposições ou os rotulamos incorretamente. O aluno que não consegue iniciar uma tarefa pode não ser “preguiçoso”, mas não consegue encontrar meios de pedir mais informações. A criança que sai do seu assento pode achar mais fácil ouvir enquanto “se inquieta”; e o aluno que fala em um momento inadequado pode ter levado mais tempo do que os outros para processar algo dito mais cedo na lição.

A professora Kirby acredita que a linguagem que usamos para descrever os alunos é de suma importância. Termos como “síndrome”, “transtorno” ou “condição” podem criar barreiras artificiais e levar a sentimentos de vergonha ou solidão.

“Muitas vezes, ouço termos como escola “amigável para dislexia” ou escola “amiga do autismo”. Acho que seria melhor se fosse simplesmente uma escola “amigável”, com as necessidades dos alunos bem atendidas.

“Eu quero desafiar as escolas a pensar o ambiente em que colocam seus alunos. Porque não se trata dos alunos propriamente, mas da maneira como interagimos com eles – é uma via de mão dupla. O importante é que os jovens consigam ganhar autonomia e se sintam relacionados e conectados com as pessoas ao seu redor ”.

O artigo mais abrangente da professora Amanda faz parte da nossa seção In Focus na última edição da revista Cambridge Outlook, que leva o tema “Aprendizagem para todos”.

Seja reconhecendo que estamos todos no espectro neurodiverso, como explica Kirby, ou repensando o uso da palavra “excepcional”, como defende a Dra. Sarah McElwee em outro artigo do In Focus, a linguagem usada nas escolas é primordial, assim como é o ambiente de aprendizagem.

Também ouvimos um grupo de alunos do ensino médio sobre o que os professores podem fazer para criar as condições ideais para o sucesso. Aprendizagem adaptável, professores apaixonados e preocupação com o bem-estar foram algumas das principais respostas.

As perspectivas de professores e alunos são muito importantes e é possível saber mais a partir dos resultados do primeiro Censo Global de Educação, que teve 20 mil respostas vindas de mais de 100 países. Você pode ler o artigo resumido Our World, Their Future nesta edição.

Como sempre, gostaríamos muito de saber sobre sua escola também. Entre em contato pelo e-mail outlook@cambridgeinternational.org

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